Amenorreia: entenda porque afeta mulheres jovens

A Amenorreia Hipotalâmica Funcional (AHF) é uma das principais causas da ausência de menstruação em mulheres saudáveis. Esse distúrbio ocorre quando o corpo entra em estado de escassez energética devido a fatores como restrição alimentar, excesso de exercício ou estresse crónico. O organismo responde reduzindo a produção hormonal necessária para a ovulação, comprometendo o equilíbrio do ciclo menstrual. Mas será possível reverter esse quadro? Neste post, vai entender como a alimentação e o estilo de vida podem ajudar na recuperação da função menstrual.

O que vai aprender neste post:

✅ Como a escassez energética afeta a produção hormonal e o ciclo menstrual
✅ Os nutrientes essenciais para restaurar a função ovulatória
✅ Estratégias para recuperar o equilíbrio energético e reverter a amenorreia

A Amenorreia Hipotalâmica Funcional (AHF), é um distúrbio menstrual que ocorre em resposta à escassez energética, resultando na interrupção do ciclo menstrual. Este fenómeno complexo manifesta-se principalmente no hipotálamo e na glândula pituitária.

Quando o corpo percebe uma escassez de energia, seja devido a uma ingestão inadequada de nutrientes ou a um aumento no gasto energético, ocorre uma resposta adaptativa. O hipotálamo, uma região do cérebro responsável pelo controle de várias funções corporais, incluindo a regulação do ciclo menstrual, diminui a liberação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Isso, por sua vez, afeta a produção das hormonas folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH) pela glândula pituitária, que são cruciais para a ovulação e a regulação do ciclo menstrual.

A redução na produção de FSH e LH leva a uma diminuição na produção de estrogénio pelos ovários e à ausência de ovulação. Sem ovulação, a produção de progesterona também é comprometida, resultando em desregulação do ciclo menstrual e, eventualmente, amenorreia (ausência de menstruação).

A escassez energética pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo distúrbios alimentares, excesso de atividade física, estresse crônico ou uma combinação desses elementos. Quando o corpo não recebe a quantidade adequada de energia para atender as suas necessidades, ele prioriza funções vitais para a sobrevivência e pode suprimir processos menos essenciais, como a menstruação, que requer uma quantidade significativa de energia.

Embora não haja um consenso definitivo sobre o déficit energético específico que desencadeia a AHF, diversos estudos concordam que a baixa disponibilidade energética representa uma séria ameaça ao organismo e está intimamente ligada a disfunções reprodutivas.

O tratamento da amenorreia hipotalâmica funcional geralmente envolve a restauração do equilíbrio energético do corpo. Isso pode incluir aumentar a ingestão calórica diária, ajustando-a às necessidades individuais da paciente e seu gasto energético real. No entanto, não se trata apenas de quantidade, mas também de qualidade e distribuição dos macronutrientes na dieta.

Estudos identificaram uma menor ingestão de gordura e hidratos em pacientes com AHF, destacando a importância desses nutrientes na restauração do ciclo menstrual. Hidratos de fácil digestão, como cereais e tubérculos, são particularmente importantes devido ao seu papel na manutenção da energia e fornecimento de fibra alimentar.

Além disso, cada macronutriente – hidratos, proteínas e gorduras – desempenha um papel específico no corpo e é crucial para a função menstrual e disponibilidade energética. Portanto, um plano de tratamento para AHF deve levar em consideração não apenas a quantidade total de calorias, mas também a composição e qualidade da dieta, adaptando-se às necessidades individuais da paciente, para restaurar a saúde reprodutiva e hormonal.

 

Um abraço,

Sofia Moradas

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