Deixe-me adivinhar, você acha que o ciclo menstrual é algo que está fora do seu controle.
Se sim, provavelmente na vida, também é aquela mulher que lida mal com situações de vulnerabilidade, e esse é um dos seus maiores medos. Porque na sua ideia, ser forte é um estado contínuo e sair desse pedestal é fracassar.
Provavelmente, por variadas razões, cresceu desejando ser como os homens e precisa de se sentir igual a eles para aceder ao seu poder.
Esta visão de poder foi-nos imposta, somos a geração de mulheres que não quiseram “ser donas de casa”, abrimos a boca para gritar para o mundo que somos empreendedoras – hoje em dia, o arquétipo da guerreira. Aquela que nunca dorme, aquela que dá conta de tudo e que, nivelando a sua autoestima por essas conquistas, vive numa montanha russa que só tem subidas.
Orgulhosa, você esforça-se por provar o seu poder para os homens à sua volta, e desmerece outras mulheres que não estão “à sua altura”.
Atualmente muitas mulheres confundem poder com masculinização, perfeccionismo, trabalho árduo, sem emoção, intocável e à prova de bala. Ser emocional e doce é sinónimo de ser frágil e imperfeita. Porém, a vulnerabilidade é aquilo que nos torna permeáveis, integradas, e isso traz empatia, compaixão, respeito por nós mesmas e por outras mulheres.
Estabelecer uma relação de respeito com o mundo e com as outras mulheres dignifica-nos, e dignidade sim, é poder!
Convido-vos a refletir sobre as partes de si que considera fracas e acolhê-las como um lugar que devemos acessar, reconhecer e viver.
Seguimos juntas,
Sofia Moradas


